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Maratona Mundial: 12 semanas de volta

Jacob Simonsen descreve nesta série de artigos os altos e baixos de sua recuperação. Este é o último artigo da série, onde Simonsen fala sobre sua participação no Mundial em Tóquio, marcando o fim da recuperação.

A pistola dispara. Partimos rapidamente – mas então o tiro soa novamente, e o comentarista grita sobre uma nova largada. Falsa largada em uma maratona – nunca acontece. Paro com os outros, viro e volto calmamente para o início. Desta vez, me coloco mais atrás no pelotão para garantir uma abertura mais tranquila e seguir o plano de jogo.

Dos alto-falantes vem o comentário ao corredor queniano que fez a falsa largada:

"What are you doing? It's a marathon, not a sprint."

O comentarista tem razão – especialmente nestas condições. São 7h30, a temperatura se aproxima dos 30 graus e a umidade é alta.

Olho para cima e me lembro de onde estou: no estádio nacional do Japão para o Mundial, entre os melhores do mundo. E o mais importante – na linha de partida. Três meses atrás, eu não podia correr.

HERRE
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    Recuperação e preparo

    Já contei antes sobre meu caminho de volta de uma reação de estresse no fêmur – uma jornada de altos e baixos. Agora estou de volta, e nas últimas 12 semanas consegui desenvolver o treino de forma tranquila.

    70, 80, 95, 100 km – e finalmente duas semanas com 150 km, com intervalos e treinos longos. As últimas semanas foram mais leves, cerca de 130 km, devido à viagem e ao pré-campo em Fukuoka.

    Na linha de partida, estou ansioso. Não só pelo que está por vir, mas também por como meu corpo reagirá. Sinto-me bem preparado para o calor e as condições – mas o treino não foi normal para uma maratona, onde geralmente alcanço 180 km/semana em um bloco de 10-12 semanas.

    O bloco de treino perfeito não garante a corrida perfeita – e vice-versa. A forma parecia promissora, senão eu não teria ido. Algumas corridas deram bons sinais, e mentalmente estou pronto para competir novamente.

    HERRE
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      A corrida

      Começo devagar devido ao calor e logo encontro um americano que conheço de um campo de treino em Boulder, Colorado. Já conversamos antes e concordamos na estratégia: correr de forma conservadora e inteligente no calor.

      Desistimos de acompanhar o grupo da frente e focamos em encontrar um ritmo que possamos manter até o fim. A frente impõe um ritmo que sei que não posso sustentar nestas condições sem me desgastar – então deixamos que corram.

      Ainda assim, o início é um pouco rápido demais – 15:35 nos primeiros 5 km (o plano era no máximo 16:00). Na metade, passamos em 1:07:00, e sinto o calor. Em compensação, começamos a ultrapassar muitos que começaram forte demais. Dos 30 km até a chegada, ganhamos posições em massa.

      Com 200 metros restantes, ganho mais uma posição e cruzo a linha de chegada em 29º.

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        Após a corrida

        O objetivo era top-20. Esperava ganhar mais ao correr com inteligência e focar no resfriamento. Mas outros estavam igualmente bem preparados, e o pelotão era forte. Faltam apenas alguns por cento, e isso se reflete na colocação.

        Ainda assim, estou satisfeito. Cai um pouco na segunda metade e corri 68:30 – um minuto e meio mais lento que a primeira. Cinco minutos do vencedor é aceitável nestas condições e com minha preparação.

        O mais importante é que estou de volta – e que o corpo reage positivamente.

        Esta corrida não é a culminação de um bloco clássico de maratona. É o início da próxima fase. Ainda falta nitidez e continuidade, mas agora tenho algo para construir sobre. Já estou ansioso pela próxima maratona, que está ao virar da esquina.

        Agora é hora de recuperação, aprendizado – e continuar construindo.

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